sexta-feira, 6 de março de 2009

Sistema Alternativo - Thiago Gonçalves

Este mês, na nossa coluna Sistema Alternativo, o mestre Thiago Gonçalves traz novamente para nós um sistema de RPG com regras inovadoras. Para aqueles que gostam de super heróis vale apena conferir este RPG diferente de tudo que você já jogou.




Marvel Universe RPG

O Universo Marvel dispensa apresentações ou explicações. Logicamente, esse é um RPG em que os jogadores interpretam algum dos super-heróis Marvel ou criam os seus próprios, mas que atuarão dentro desse universo.
Ao invés de dissecar o Universo Marvel, a presente resenha focará o diferencial desse jogo: o seu sistema de regras inovador.
Geralmente, a mecânica dos jogos de RPG é baseada na probabilidade, seja ela testada utilizando-se dados, cartas ou até mesmo dominó.

O Marvel Universe RPG tenta partir de outra concepção, entitulando-se um “jogo baseado em recursos”. Mas o que diachos isso quer dizer? Ao invés de se valer desses “instrumentos” de probabilidade, a mecânica de jogo é baseada no tanto de esforço despendido em determinada escolha. Ou seja, nada de dados, cartas ou dominós!!! Em suma, o esforço de seu personagem deve corresponder a um nível de dificuldade ou superar o esforço de seu adversário.
Para deixar claro, vejamos o seguinte exemplo: suponha que o personagem Homem-Aranha quer usar a sua teia para se pendurar e chegar a determinado local. No caso dos jogos baseados na probabilidade, o jogador iria rolar o dado (ou usar qualquer outro instrumento) para ver se consegue ou não o feito. Já no RPG Marvel, ele conseguirá o feito desde que gaste o tanto de esforço necessário.
Mas e que graça tem isso?
A graça estáno fato de que cada personagem tem um nível de energia, medido pelo o que o sistema chama de “pedras de energia”, sendo que cada habilidade indica o número máximo de energia que o personagem é capaz de usar. Além disso, ele gasta o esforço, necessitando de tempo para recuperá-lo. Ou seja, as suas escolhas fazem toda a diferença. Continuando com o exemplo, a ficha do Homem-Aranha diz que ele tem 12 pedras de energia e que a sua habilidade de usar a teia é 5, o que significa que pode usar no máximo 5 pedras de energia para usá-la. Nesse caso, sobrariam apenas 6 pedras para tentar outra ação, como se defender de um ataque. Assim, se durante a ação de se pendurar na teia, o Homem-Aranha receber um raio de um inimigo que gastou 7 pedras de energia em seu ataque, estará em maus lençóis, já que poderá ter alocado, no máximo, 6 pedras em sua defesa.
Logicamente, nos combates, se o mestre quiser ser leal às regras, deverá determinar as ações e alocações dos inimigos antes de saber a dos jogadores.
Além das pedras de energia, cada personagem possui pedras de saúde. O tanto de dano retirado dessa saúde é baseado em uma margem de 3 em 3 pedras de energia que o atingiram. Se 1, 2 ou e 3 pedras de energia superarem a sua defesa, você perde 1 pedra de saúde. Se 4, 5 ou 6 superarem a sua defesa, serão 2 pontos de saúde retirados. E assim por diante. No caso do tiro que acertou o homem-aranha acima, como 1 pedra de energia do ataque do inimigo superou a sua defesa, 1 pedra de saúde será retirada
O tanto de pedras de energia recuperado quando iniciar o próximo painel (o equivalente a uma rodada em outros jogos) depende justamente de sua saúde. O Homem-Aranha tem 4 pedras de saúde. O que significa que, por “rodada”, ele recuperará 4 pedras de energia enquanto não estiver ferido. Mas, existe um limite de 3 vezes o valor da saúde. No caso do homem-aranha, pode recuperar 12 pedras até o final da “cena”.
Quanto mais ferido o personagem, mais dramáticas serão as escolhas, já que menos pedras de energia ele irá recuperar ao fim da rodada.
Cada poder acrescenta peculiaridades ao sistema, tornando-o bem divertido. Por exemplo, o Wolverine recupera uma quantidade maior de energia, bem como recupera pontos de saúde, em razão de sua regeneração. O Homem-Aranha pode mudar a sua alocação de recursos no momento em que o mestre revela a alocação do inimigo, em razão do seu sentido aranha. Personagens com liderança, como a Tempestade ou o Ciclope, podem dar parte das suas próprias pedras de energia na realização da ação dos outros.
O livro básico traz uma quantidade significativa de 42 personagens (heróis ou vilões) e explica como criar o seu próprio. Outra peculiaridade do sistema é que ele próprio admite não existir um balanceamento de poder entre os super-heróis. Então, se o mestre não quiser uma campanha overpower, precisará limitar escolhas como jogar com o Hulk, o Thor ou o Surfista Prateado, por exemplo.
Além do livro básico (Marvel Universe), foram lançados dois suplementos: o “X-men Sourcebook” e o “Hulk and the Avengers Sourcebook”.



Uma crítica ao sistema, já que acredito que nenhum possa ser perfeito, é que ele parte da premissa de que cada personagem é ciente de sua capacidade e tem total controle do esforço despendido para realizar a sua escolha. Por exemplo, ele escolhe a potência exata de seu soco, podendo alocar 1, 4 ou 7 pedras de energias.
Pode ser meio irreal, mas todos estamos cansados de presenciar em outros RPGs a situação de um sucesso ou uma falha não corresponder às habilidades do personagem, em razão do número rolado nos dados. Conclusão: no RPG Marvel Universe, o papel da sorte é diminuído em detrimento do papel das escolhas. Aqui, mais do que na maioria dos outros RPGs, pode-se falar que uma falha foi decorrente de más escolhas do jogador. Se o Coisa usa 16 de suas 18 pedras de energia em um super soco, depois não poderá reclamar se um inimigo conseguir derrubá-lo ou deixá-lo muito ferido em razão dele ter colocado apenas 2 pedras em sua defesa.
Outro ponto positivo é que, por retirar o foco da probabilidade e colocar nas escolhas, o sistema acaba incentivando a interpretação e a análise da situação.
Reconheço que parte considerável da diversão de se jogar RPG advém da emoção de se rolar os dados. Mas, com certeza, jogar o RPG Marvel Universe é uma experiência inovadora, baseada em um sistema simples que parte de uma concepção bem diferente acerca das regras para se jogar RPG.


Thiago Gonçalves.

10 comentários:

  1. Bom, na coluna deste mês eu faço questão de ser o primeiro a cometar.
    Caramba! Eu gamei neste sistema!!!
    Sem rolagem de dados, muita interpretação e roleplay e ainda posso jogar com meus heróis prediletos?
    É bom demais pra ser verdade.
    Pena que não foi traduzido.
    Vamos montar uma inicaitva para traduzir este sistema? Quem topa?
    Mas antes da tradução, por agora eu gostaria de saber se o Thiago se habilita a mestrar no próximo evento uma aventura de X-men...

    O personagem Wolverine já é meu.

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  2. Muito interessante. Dá uma vertente nova, como se o destino se baseasse nas escolhas e não nos dados. Já eu acho que interpretação vem do jogadores e do incentivo do mestre, não importa o sistema. Até mesmo uma partida de RPG Quest tem uma possibilidade de interpretação boa com bons jogadores, ou então, um partida de vampiro pode ser uma rolação chata de dados com um mestre e jogadores despreparados.

    Mas em suma, muito bom o sitema. Eu quero ser Gambit.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Concordo plenamente contigo Vítor. E digo com conhecimento de causa pois você já jogou nas minhas mesas de Tormenta e interpreta muito bem. Eu acho que a interpretação dá vidas às aventuras. E uma boa notícia já temos 2 X-mens mais alguns e o Thiago estará intimado a mestrar.

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  5. O sistema é muito bom, mas ainda há uma falta de opções na parte de criação de personagens. Tudo bem que o sistema é voltado para o universo marvel, mas ele poderia ser um pouco mais genérico e permitir a criação de super heróis famosos sem mtas adaptações ou mto trabalho.
    Mas no geral, o sistema sem dados é uma grande inovação que deveria ser explorada em outros cenários!

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  6. Gostei. É bem interessante.
    Mas só dá pra jogar com personagens prontos da Marvel ou é possível criar nossos próprios heróis?

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  7. Nossa, que legal que muitos acharam o sistema interessante.
    Achei que poderia haver um certo preconceito por não haver a rolagem de dados.
    Eu acho ele muito interessante.
    Com certeza a interpretação depende dos jogadores e do mestre, mas esse sistema dá um "empurrãozinho" :).
    Gene, dá para fazer os seus próprios personagens, mas como colocou o Careca,os poderes disponíveis no livro acabam sendo baseados nos heróis existentes.
    Bom, já que a procura está boa, posso mestrar uma aventura no próximo encontro, mas como só poderei comparecer à tarde, ficarei devendo a partida do Alpha Omega novamente.
    Qnto aos personagens, poderia ser qq um desses: X-men, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Avengers, Daredevil, Punisher.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Fiz um vídeo introdutório à aventura do Marvel Universe RPG, a ser mestrada no 3º Encontro Itinerante:

    http://www.youtube.com/watch?v=wYWCeCkr6zA&feature=channel_page

    Tb fiz um para o Alpha Omega RPG, mas acho que a aventura ficará somente para o 4º Encontro:

    http://www.youtube.com/watch?v=5qJxeubyhoI

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  10. Poxa.. o sistema eh bruto msmo xD

    Adorei esse novo tipo de jogo.. Parece mto interessante e uma otima chance de aprimorar meios de interpretação..

    Mas de qualquer forma.. Quero o Iron Man

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